Um dia regressei a esse inesquecível marco da minha vida. Com outros como eu me reencontrei. Aí me detive algum tempo... E que tempo! Não mais quero deixar de revisitar esse local, feito de pedras vivas e significados mágicos para a minha existência... E QUE DIRÁS TU?!... Não deixes que outros comentem por ti!
domingo, fevereiro 05, 2006
Encontros 1991 e 2004 - FOTOS
sábado, dezembro 24, 2005
Uma Rosa de Natal e um 2006 Fantástico!
Tudo o que há de melhor para cada um dos Amigos, mesmo que seja uma simples rosa!
E esperamos que em 2006 nos encontraremos todos no último fim de semana de JUNHO!
domingo, dezembro 11, 2005
Adeus a um dos expoentes máximos que passou por Vinhais

e de Psicologia Aplicada
VALE, P. Francisco dos Anjos Fernandes – Nasceu
Fonte: Vale, Virgílio O. (2003). Vinhais, Póvoa Rica de Homens Bons. Porto: Edição do Autor, p. 61, com adaptação.
Do seu livro “O Problema da Luta de Gerações” (1992: 101), já na Síntese Final, extraímos uma passagem altamente reveladora do seu espírito crítico e brilhante, face à verdadeira comunicação entre pessoas. Que beleza nestas palavras, de promessa, a jovens alunos de Jornalismo, tão oportunas para os dias de hoje:
“A comunicação humana – tão modernizada, na sua técnica, e tão inexistente na sua realidade íntima e profunda – exige um processo pelo qual alguém ou algo se compartilha, se torna comum.
Não basta, portanto, o conversar muito que actualmente se verifica, mas sem comunicação, por causa do medo, desconfiança e dos esconderijos usados, em todos os planos da vida!...
Que formoso, extraordinário e libertador é, vai ser a experiência de aprender a ajudarmo-nos uns aos outros! Nunca se insistiu bastante, na imensa necessidade que todos temos de ser realmente escutados, tomados a sério, compreendidos…
A psicologia moderna considera indispensável esta prática de vida, também nas escolas, porque é assim, em todas as actividades e convivências.
Neste mundo, ninguém pode crescer em liberdade, sem se sentir compreendido, pelo menos, por uma pessoa. Para isso e para ser cristão por gosto, pela Nova Evangelização, vamos fazer, todos, melhores treinos da nossa comunicação; prometemos ficar convosco, certos da vantagem de automaticamente descobrir o novo rosto de Deus – aquele rosto verdadeiro que convence e dá gosto, para crescer e ser livres de verdade!...”
Às suas exéquias fúnebres presidiu o Prelado da Diocese, com um grande número de sacerdotes, na Igreja da Misericódia de Bragança, completamente cheia de familiares e amigos.
Amigos do Seminário de Vinhais apresentam as mais sentidas condolências a toda a família.
sábado, dezembro 03, 2005
A Justa Homenagem

Neste último adeus, o povo em peso e muitos amigos e colegas de instituições de ensino estiveram presentes, destacando-se igualmente um grande número de sacerdotes amigos, presidindo às cerimónias fúnebres sua Ex.ª Rev.ma o Senhor Bispo de Bragança e Miranda. Amigos do Seminário de Vinhais, ex-alunos, reconhecem a quão grande influência que este ilustre sacerdote e académico exerceu nas suas vidas. Muitos foram seus alunos e para sempre guardarão as chamas com que as suas palavras nos aqueceram e mostraram o sonho de um futuro, que, com a dignidade desses referenciais, fomos conquistando!
As nossas profundas condolências a todos os familiares!
E, depois de uma vida cheia de estudo, dedicação, serviço, esforço, alegrias e também dores, QUE O Dr. BELARMINO DESCANSE EM PAZ, com uma recompensa divina super-merecida!
Ao Homem - Ao Padre - Ao Académico!Um Requiem de PAZ!
sexta-feira, novembro 25, 2005
Mandem notícias...

Como vêem, o nosso Blog não vai mudando de cara frequentemente. Porquê? Precisamente porque não se dispõe de dados para o actualizar...
Vejam se podem enviar alguma "estória" da vossa VIVÊNCIA enquanto Alunos. Já foi posto, oportunamente, o endereço para tal correspondência (ver abaixo). Espera-se a vossa colaboração, O. K.?
É habitual dizer-se que as instituições só existem na medida em que se inscrevem na memória daqueles que por elas passam!
Nós, os Ex, temos memória e passámos por lá...
terça-feira, agosto 30, 2005
Um poema para o Encontro de Ex-Alunos: Junho 1998
Para quem estava habituado a uma casa sem cal,
Sem jardim e sem estilo,
O monumental seminário,
Antecedido de majestosa escadaria,
Misto de escola e relicário,
Tombou, naquela tarde de Outubro, de luz frouxa,
Com todo o seu peso e imponência,
Sobre o dorso, já esmagado pelo saco da trouxa,
De um recém-candidato ao indefinido sacerdócio!
Aí vem ele, cheio de espanto, quase foragido da alegria,
Mais curioso que os curiosos da experienciada e veterana grei,
Que, de súbito, se junta, aos alaridos, sem contenção e sem lei,
Recebendo o caloiro, anónimo, qual vaso de inocência.
Primeira semana, e aquele velho claustro,
Essa tão solene e indesmentível testemunha,
Olhava para o caloiro com olhos descomunais,
Oferecia um muro, um abrigo,
Uma esquina, defensora no perigo,
Onde o debutante pudesse evitar "ser montado",
Porque, para os veteranos, que se diziam "grandes" e leais,
O "montar" não era mau, nem tão pouco venial pecado!
E o caloiro, receoso e cabisbaixo, rezava baixinho:
- Abençoados muros, de pedra tão carinhosa,
Que me protegeis, com paternidade,
Afastai de mim os veteranos, intemeratos,
Que eu não creio nas suas promessas,
Só sei que não cheiram a rosa,
Tal é a sua insistência em incutir, nos novatos,
Medo, gambozinos, ansiedade,
E tantas, tantas coisas como essas.
- Passadas as primeiras praxes e recepções, indizíveis,
Caloiros calados, em união e posturas verosímeis,
Formavam filas, frente ao cesto do pão e queijo americano,
Alinhados pela colunata e advertência do circunspecto claustro:
- Se quiseres matar a sede, bebe desta rica água,
Em torneira de polegada e meia,
Que não corre a fio, mas cheia,
E sacia a tua estranha e subtil mágoa!
- E os caloiros bebiam, bebiam, em revoada,
Usando a capa negra como guardanapo civilizado,
Limpando a gordura do queijo,
Ainda preso na língua empapada,
E as migalhas do pão branco,
Qual beijo duma deusa incomentável,
Naquele recinto silencioso e sagrado,
Acolhedor, acrítico e afável,
Tão possante e tão franco!
Já familiarizado com o quadrático espaço,
De pedra em sepulcral pedra medindo as passadas,
O caloiro aprendeu a jogar às escondidas:
Passava o prefeito, sisudo e apressado,
Mas o nosso melro aproveitava as colunas, gigantescas,
Recuando, estrategicamente, em pé-ante-pé lento,
Retrógrado e proporcional às andadas
Daquele vigilante da ética e normas do regulamento!
No final das inumeráveis façanhas,
Prudentes, mas sem manhas,
O claustro e o caloiro entendiam-se:
- Ó seu bicho aculturado,
Já aprendeste as minhas lições:
Não és só tu a jogar ao escondidinho, pela calada e sem espavento!
Contam-se finórios às dezenas, por semana,
Mas cuidado, que um dia chegam os sermões,
E o prefeito nunca, nunca se engana:
- Para a próxima, cuidadinho, seriedade e bom comportamento!
E passados quarenta anos, o caloiro confessa-se ao claustro inesquecível:
- Ainda criança sonhei no teu berço,
Devaneei com fantasmas e ilusão!
Hoje, quando a bruma é espessa e invencível,
Escuto o eco deste nostálgico coração,
Que desfia confidências como Avé-Marias de um terço,
E te segreda com tanta confiança:
- Lembrarei o claustro da amizade,
Ainda que de tecto velho e pardacento;
Considero-te um mar de bonança,
E, como tu, meu primeiro mecenas,
Quero que todos os caloiros, às centenas,
Sejam felizes e livres como o vento!
Publicado em Alves, F. Cordeiro (2002). Entre Vertigens e Amores. Ed. Câmara Municipal de Vimioso
domingo, agosto 28, 2005
Um percurso desde 1919 a 1970 - Antigos Alunos
Há três listas que, numa outra metodologia, já foram apresentadas (1919-20; 1947-48; 1949-50), mas integram-se, igualmente, nesta sequência.
OBS.: para ver com razoável legibilidade, fazer Click sobre a(s) imagem(ns) respectiva(s) e, logo a seguir, fazer Zoom.
1919 ...1921....
1929...1932...
1932...1936...
1936...1940...
1940...1943...
1943...1946...
1946...1950...
1950...1954...
1954...1958...
1958...1961...
1961...1964...
1964...1967...
1967...1970
quarta-feira, agosto 03, 2005
Interessantes curiosidades históricas do edifício do Seminário
“Na fachada pode ver-se o escudo real com as armas de D. Maria I que, em 1777, se dignou aceitar o padroado deste Monastério.
Logo no átrio, podemos ler duas lápides, uma de cada lado da porta da igreja. Uma diz:
‘Fundou este Seminário José de Morais Sarmento, Fidalgo da Casa Real, Mestre de Campo e natural desta Vila de Vinhais, no ano de MDCCLII. Cedeu o Padroado dele nas mãos de Sua Majestade e faleceu no ano de MDCCLXII.’
Do outro lado da porta, pode ler-se:
‘Sua Majestade Fidelíssima aceitou o Padroado deste Seminário e tomou para sempre o seu real nome e no de todos os seus sucessores debaixo da sua régia e imediata protecção no ano de MDCCLXXVII.’
Quer isto dizer que o edifício foi mandado construir no reinado de D. José I, mas o seu Padroado foi aceite só pela Rainha D. Maria I.”
Fonte: Vale, Virgílio, O. (2003). Vinhais, Póvoa Rica de Homens Bons. Porto: Edição do Autor, p. 13
Um abraço ao nosso grande Virgílio do Vale, que muito nos ensina sobre Vinhais e todo o concelho neste seu precioso ensaio histórico-cultural. Parabéns! E... Para o ano lá estaremos, se Deus quiser!
segunda-feira, julho 11, 2005
Música e POEMA geniais!!!

CINQUENTA ANOS!!!
Há cinquenta anos, dávamos entrada
Neste Seminário p’ra novo caminho,
Com um fato escuro e a alma lavada,
Com frescor de cardos, cheiro a rosmaninho.
1.
Palavras pesadas, silêncios medonhos,
Foram-nos moldando a irrequietude,
Os gestos, o viço, os delírios e os sonhos,
Em nome da lei de uma santa virtude.
2.
Por ela sonhámos altares, incenso,
Cravámos as unhas num corpo odiado;
Quisemos ser lírio num corpo retenso
Com a seiva em luta com Deus e o Diabo.
3.
Por ela passámos momentos aflitos
De horrores, de inferno, de enxofre e tortura;
Por ela calámos, humildes, contritos,
Gritos de revolta, ansiedade e censura.
4.
Por ela nos davam números concretos
Da medida exacta do nosso valor,
Como se uma escala medisse os afectos,
Os gestos, os sonhos, o medo e a dor.
5.
O mundo lá fora, morria nos muros.
Cá dentro nem cores, perfumes, nem danças
(Que os olhos deviam permanecer puros),
Nem beijos, sereias, feitiços, mudanças.
6.
Como era previsto - defeito do gesso
Que não suportou a perfeita moldura -
Partimos daqui, viagem sem regresso,
P’ra abrir outras brumas, florestas, lonjura.
7.
Talvez nos ficassem da velha moldura
Uns restos de fibra, de luz e de braços
Com que removemos, na nova aventura,
Muralhas e silvas, brumas e sargaços.
8.
Aqui estamos hoje como caminheiros
Que, lassos, evocam da vida a jornada
E sentem saudades de ver companheiros
E as marcas dos passos da primeira estrada.
Ouvidos e lidos, quer a Música, quer o Poema, são o produto admirável de um genial artista! Nunca é tarde para, mais uma vez, felicitar o AUTOR, que é um dos dinâmicos “Caloiros” de 1947-1948, cuja lista se transcreve:
Os BRAVOS de 1947-1948:
João Manuel Gonçalves, Parada - Bragança; João Baptista, Zoio; António Manuel Subtil, Grijó de Parada; Francisco António Pires, Parada; Francisco António Pires, Varge; Armindo dos Santos Afonso, Carrazedo; Ângelo dos Santos Vaz, Zoio; Henrique Augusto Fernandes, Vilarelhos; Armando Augusto Morais, Vila Nova; Aníbal Armando Inocêncio, Vilarchão; António Joaquim Baptista, Cerejais; Júlio dos Santos Morgado, Picões; Manuel Maria Cardoso, Linhares; Mário Albino Borges, Paradela - Car.; António Júlio Topete, Carviçais; Manuel Augusto Corredeira, Freixo de Espada à Cinta; Adelino Afonso Valente, Fornos; Manuel Augusto Brás, Freixo de Espada à Cinta; António Augusto Estácio, Freixo de Espada Cinta; Ismael de Jesus Silva, Brinço; Manuel António Matias, Podence; Guálter Benigno Pinheiro, Vila Nova; Ilídio Alfredo da Costa, Corujas; José S. Pedro Antão, Genísio; João Inácio Rafael, Barcel; António Manuel Morais, Avidagos; Manuel Fernandes Sobral, S. P. de V. do Conde; Francisco do Patrocínio Silva, Bemposta; Francisco Joaquim Morais, Soutelo; Armando Augusto Linhares, Bruçó; Luís Jacinto Soares, Vil. da Castanheira; Aníbal José Martins, Valverde; António de Jesus Martins, Felgar; Aurélio Araújo Ferreira, P. dos Castelhanos; Ramiro Afonso Pontes, P. dos Castelhanos; António dos Santos Pinto Amaral, Carvalho de Egas; Tito José Fernandes, Benlhevai; António Augusto Fernandes, Mirandela; Adérito José Fernandes, Trindade; Joaquim Gonçalves Fernandes, Oviedo; José Alberto Rodrigues Fagundes, Vale de Frades; João Baptista Cruz Castanho, Vale de Frades; José Ferreira Prada, Argoselo; Gualdemiro José da C. Lopes, Estevais - Mogadouro; Nuno Duarte dos Reis, Vilar Seco de Lombo; Fernando da A. Pires da Silva, Pinheiro Velho; Clemente Baptista Fernandes, Cidões; Manuel Carlos Dias, Fornos; António Manuel Fernandes, Ousilhão; Jerónimo de Azevedo Pires, Penso; António Albino Vaz das Neves, Ifanes.
Extracto do Suplemento do N.º 1341 do Mensageiro de Bragança, de 27 de Novembro de 1970, p. 29
domingo, julho 10, 2005
Envio de possível documentação digitalizada
Caros amigos:Não se esqueçam do valor da vossa colaboração para ver se continuamos a reconstruir as nossas raízes e a potenciar o nosso futuro!
Um abraço caloroso!
sexta-feira, julho 08, 2005
Sonhando com o futuro...
José Francisco Gonçalves, Ifanes; Américo José Pires Louçano, Ifanes; Orlando José Dinis, Maçores; Américo Augusto Preto Esteves, Angueira; Júlio Norberto Rebolho, Poiares; João de Almeida Arrepia, S. Amaro; Manuel de Jesus Geraldes, Felgar; António dos Santos Faustino, Lousa; Amável Augusto Afonso, Mós - Moncorvo; Eurico Afonso Inocêncio, Vilarchão; José Isidro Marcos, Urrós; Armando Abílio Pires, Valverde; Laurindo José Guilherme Júnior, Valverde; José da Ressurreição de Campos, Bemposta; Ilídio José Marta, Bemposta; José Baptista Ferreira, Azinhoso; Hermínio Augusto Martins, Vilar do Rei; Luís Alberto Gonçalves, Remondes; Armando de Jesus Cordeiro, Pinhal do Douro; TeImo do N. Diogo Morais Pregal, Valtorno; Albérico dos Santos Flora, S. P. V. do Conde; Hélder Benedito Matosinhos, Mirandela; Albérico dos Santos Lopes, Suçães; Albérico dos Santos Fernandes, Pai Torto; Jaime Vitorino Moreira, Castro Roupal; Gonçalo Augusto Pereira, Vila da Veiga; Delfim Augusto, Lagoa; Luís Hermógenes Colmeiro, Ala; João Alberto Martins Rego, Bornes; Elmano José Martins Rego, Bornes; André dos Santos Pereira, Castrelos; Alípio Augusto Vaz Afonso, Alimonde; José António da Paula, Coelhoso; António Agostinho Rodrigues, Calvelhe; António Augusto Rodrigues Praça, Babe; João António de Barros, Zoio - Refoios; José Maria Fernandes, Parada; Norberto Augusto Estevinho, Paredes; Armando Ludgero Pires, Coelhoso; Francisco António Gil, Soeira; Ramiro Augusto Rodrigues, S. Jumil; Manuel Pinto Fernandes, Valbom; Albino de Jesus Gonçalves, Valpaço; Manuel Carlos Patrício, Nuzedo de Baixo; Américo Raul Gomes, Agrochão; Jaime da Ressurreição Pires, Rio de Fornos; Abeltino António dos Santos Martins, Conlelas.
Fonte, que, por lapso, não foi citada no momento da 1.ª publicação do Post:
Extracto do Suplemento do N.º 1341 do Mensageiro de Bragança, de 27 de Novembro de 1970, pp. 29-30
segunda-feira, julho 04, 2005
Ao Monsenhor Cónego Ângelo Olímpio Melenas!!!
(Foto: Monsenhor Ângelo Melenas no seu nonagésimo aniversário!!!)
Uma HOMENAGEM ao Monsenhor!
sábado, julho 02, 2005
Notícias do último encontro

Publicou o Mensageiro de Bragança, de 30.6.2005, pág. 5, uma breve notícia sobre o Último Encontro de Ex-Alunos, realizado a 25 e 26 de Junho. Se quiseres ver o pequeno artigo na sua versão completa, segue o endereço deste Link.
Vamos, faz os teus comentários! O endereço do Blog já vem indicado no Mensageiro de Bragança!
quinta-feira, junho 30, 2005
Os Primeiros...

Alunos do Seminário de S. José de Bragança (em 1920 continuaram em Vinhais):
Extracto do Suplemento do N.º 1341 do Mensageiro de Bragança, de 27 de Novembro de 1970, pág. 22
(A Foto não deixa reconhecer perfeitamente os seus protagonistas! Faz um Click sobre a Foto e verás em maior plano.
Se puderem, enviem fotos para publicação, após o que serão reenviadas ao seu dono! O. K.? Um abraço, Caros Ex! )
quarta-feira, junho 29, 2005
Era assim há 60 anos...

Dia 27 de Setembro de 1945. Às 5 horas da manhã (a 1.ª grande madrugada) saía eu da minha aldeia, quase tão pobre como hoje ainda, acompanhado do meu Pai em direcção ao comboio que me levaria pela 1.ª vez ao Seminário. Depois duma despedida, um tanto chorosa, da minha mãe e dos 8 irmãos, a cavalo na burra que foi ainda por muitos anos a grande companheira e a melhor amiga de todas as viagens de ida e volta, penetro na escuridão da noite, por caminhos tortuosos e cheios de pedras, que só o instinto do fiel animal podia trilhar com segurança. Atrás e a pé caminhava o Pai, aproveitando o tempo e o silêncio da noite para me repetir os muitos conselhos, que já ouvia há quase um ano, e me fazer os últimos avisos sobre os perigos da viagem e os cuidados a ter na guarda da mala e do saco de roupa. De vez em quando, ouvia-se ao longe o balir dos rebanhos, confundido na noite com o tilintar dos chocalhos.
Acabei por adormecer, embalado no toc-toc da amiga burrinha. Às 7 estávamos na Estação do Variz. De noite ainda, o Pai acende uma fogueira e eu adormeço novamente encostado ao saco de roupa. Às 8 horas chegam os primeiros e futuros amigos e companheiros de anos de Seminário. Era o Aquiles, que Deus já levou, depois duma vida árdua de estudo e de sofrimento a anteceder a morte. Com ele vinha o Caveiro, já veterano em Vinhais, e que seria o nosso guia e guarda durante a viagem. Pouco depois aparece o Sousa, que moureja em Africa, acompanhado do Pimentel que também já partiu para a eternidade. O Pinto, que depois se fez brasileiro e por fim acampou na Holanda, chegou logo a seguir, vindo com ele o Artur Morais, que seguiu a carreira do Ensino. Meia hora depois, ouve-se o 1.º apito do comboio, esbaforido e cansado já, apesar de só ter andado ainda desde Duas Igrejas. Alvoroço e contentamento geral, sobretudo para os que íamos pela 1.ª vez. Um pouco à pressa e precipitadamente, corremos para a Gare, receosos de que não parasse e partisse sem nós.
Eram os primeiros efeitos de tantas recomendações!!! Já com os bilhetes na mão e as bagagens prontas, esperámos ansiosamente a chegada daquela máquina, tão negra e tão feia, mas tão cheia de encanto e mistério para nós. Aparece e, com o som estridente do seu apito, um frémito de novidade perpassa pelo nosso íntimo, pondo-nos em alvoroço e inquietação. Já dentro da carruagem, com as bagagens arrumadas, e sentados nos nossos lugares para experimentarmos o macio daqueles bancos de madeira enegrecida, despedimo-nos dos nossos Pais, com uma lágrima que se não conseguia evitar, apesar da alegria da viagem e da novidade do comboio. Começámos assim a longa caminhada da vida de Seminário e depois dele, para muitos a primeira vez, e para todos incerta e desconhecida.
Nas estações seguintes, novos rapazes vêm juntar-se ao grupo, fáceis de reconhecer não só pelo estilo tão comum das bagagens e do vestir, como sobretudo pela tradicional boina espanhola que nos acompanharia pelo menos até à entrada em Filosofia. Era o Domingos Bento, que morreu de desastre. O Toninho Morais, que enveredou pela investigação judiciária. O Artur Parreira, que felizmente chegou ao fim, como símbolo de perseverança e generosidade. O Manuel Afonso, o número um dos salpicões e dos presuntos, e muitos outros, cuja passagem pelo Seminário foi tão fugaz, que a memória não consegue recordar-lhes os nomes.
No Pocinho foi a 1.ª mudança de linha e de comboio, e logo a seguir a surpresa hilariante dos primeiros túneis e respectiva iluminação eléctrica.
No Tua, novamente carregámos toda a troixa para mudança de direcção. Aqui começou a minha primeira grande prova, fazendo-me reviver e praticar todos os avisos e conselhos do meu Pai.
Ainda em plenas curvas da encosta íngreme da linha do Tua, dois cavalheiros, bem postos e bem falantes, sentam-se a meu lado. Com naturalidade metem conversa comigo, querendo saber o meu nome, a terra de origem, e destino, etc. O meu habitual acanhamento e o receio natural daquela idade levaram-me a desconfiar de tão simpáticos interlocutores, e então os meus cuidados e atenção iam todos para a mala, o saco de roupa e a taleigo da merenda.
Aguentei a conversa por algum tempo, com desconfiança e preocupação, mas sem dar parte fraca, até conseguir que o Aquiles viesse para junto de mim e assim me aliviasse do susto que ensombrou parte daquela viagem tão memorável.
Depois adormeci, e só acordei em Bragança, com a algazarra dos companheiros, ao verem a cidade iluminada. Ali esperava-nos um sacerdote, creio que o Sr. P.e Júlio Pinto, que havia de ser o nosso Prefeito em Vinhais e o forjador das nossas armas nos primeiros anos de Seminário.
Ao vê-lo, de batina preta, afável e sorridente, aquela figura aprumada empolgou-me, e fez-me desejar ainda mais um ideal que já então ambicionava. Todo pressuroso e prestável ajuda-nos a transportar as bagagens para a caminhoneta do Sr. Jerónimo, velha e tão incómoda como o comboio que nos trouxera até ali.
Partimos em direcção a Vinhais. À porta do Seminário outros sacerdotes nos esperavam, com o Sr. Reitor à frente — o Sr. Cónego José Teixeira.
Já não me recordo como desci e subi as escadas com tanto peso e com tanto sono. Apenas me lembro que um Sr. Padre, ainda novo, mas Velho de nome, me ajudou a fazer a cama e me meteu nela, dizendo-me à despedida que era quase meu conterrâneo e que conhecia o meu Pai e toda a família.
Que alegria e emoção eu senti ao ouvir pela 1.ª vez, longe da minha casa, que alguém conhecia os meus Pais e irmãos! Adormeci, cansado pela viagem e embalado pela emoção de tantos acontecimentos deste 1.º dia da minha vida de seminarista.
O que sonhei já não me recordo. No dia seguinte, já com o sol a entrar a jorros pelas janelas da camarata de Santa Teresinha, acordei ao toque do relógio que então ficava no topo do corredor, ao lado do gabinete do Sr. Reitor, parecendo-me aquela melodia tão cadenciada um prenúncio do Éden terrestre que eu ambicionava e julgava encontrar na vida e na casa do Seminário.
Lisboa, 25 anos após.”
ANTÓNIO JOAQUIM LOURENÇO
Transcrito de: Suplemento do n.º 1341 do Mensageiro de Bragança, de 27 de Novembro de 1970, pág. 47, Comemoração do Cinquentenário – Bodas de Ouro da Fundação do Seminário de S. José de Vinhais em 20 de Setembro de 1970
segunda-feira, junho 27, 2005
Algum ex-aluno se lembra deste SENHOR?
É ele, precisamente, o FUNDADOR do Seminário de Vinhais, em 1920!
Não sabias?
Génese - um extracto!
Estava posto um dos elementos essenciais à vida do Seminário, o necessário espaço vital."
Discurso de Mons. Manuel Jerónimo Pires, in Comemoração do Cinquentenário - Bodas de Ouro da Fundação do Seminário de S. José de Vinhais, 20 de Setembro de 1970, Suplemento do n.º 1341 do Mensageiro de Bragança, de 27 de Novembro de 1970.















